SEJAM BEM-VINDOS!

"Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública". (Anísio Teixeira)

20 setembro 2010

PRECONCEITO FAMILIAR


Uma barreira para crianças com deficiências!

Mais uma matéria importante para reflexão. Nós como pedagogos não podemos nos acomodar, temos uma missão que é enfrentar essa barreira familiar e aumentar a inserção dessas crianças na escola. Depende muito de nós!

O preconceito dos parentes ainda é uma barreira para a plena inserção de pessoas com deficiência na sociedade e, principalmente, na escola. Pesquisa feita entre outubro de 2008 e outubro de 2009, com 190 mil famílias que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), mostrou que 52% das famílias acreditam que não adianta colocar o deficiente na escola. O BPC atende a idosos que não recebem nenhum tipo de auxílio previdenciário e a pessoas com deficiência, incluindo crianças e adolescentes, oferecendo um salário mínimo. Para tentar mudar essa realidade, foi instituído o programa BPC na Escola.

A ideia do BPC na Escola é promover e garantir a permanência das crianças nas escolas, tendo como eixo principal a identificação de crianças que estão fora da escola e quais as barreiras que as impedem de estudar ou, em alguns casos, de continuarem no ambiente escolar. A ação articulada é uma maneira de confrontar essa realidade e trazer soluções a esse grupo.
A pesquisa também indicou que 68% dos beneficiários atualmente vão à escola; 18% já foram, mas hoje estão fora da sala de aula, enquanto 14% nunca frequentaram o ambiente escolar. O programa BPC foi estendido à assistência escolar a fim de oferecer subsídios aos portadores de deficiência no acesso à educação.
Outro dado importante da pesquisa destaca a dependência das pessoas com deficiência para ir à escola. De acordo com o levantamento, 80% dos beneficiários que frequentaram a escola precisavam de alguém que os levassem, e dos que estão matriculados, 73,6% necessitam de um acompanhante.
Atualmente cerca de 2,6 mil municípios brasileiros, equivalente a 47% do total, têm o programa BPC. De acordo com a diretora, a ideia é capacitar mais técnicos para que o acesso à iniciativa abranja todos os municípios.

Fonte: Agência Brasil

07 julho 2010

TODOS COM NÍVEL

Professor tem que ter nível!

Olha aí uma boa noticia. Esta em vias de aprovação no Senado o projeto de lei que torna obrigatória a formação universitária para professores da educação básica. A proposta estabelece um prazo de seis anos para que os docentes sem nível superior possam continuar a exercer seus trabalhos nas escolas da rede pública. Como matéria já foi aprovada pela Comissão de Educação do Senado, ela será remetida para a análise em plenário. Se aprovado seguirá para a sanção presidencial. Esse projeto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB, que não previa a necessidade de curso superior para esse caso. Foi incorporado ao projeto como incentivo aos profissionais do magistério a concessão de bolsas de iniciação à docência para universitários de cursos de licenciatura.

Vamos aguardar!


06 julho 2010

JOVENS E NA CONTRAMÃO


Olha aí turma, mas uma matéria interessante e preocupante pra gente refletir!


Levantamento feito pela Secretaria Nacional de Políticas Antidrogas aponta que quase metade dos universitários brasileiros já experimentou drogas ilícitas. O levantamento ouviu cerca de 18 mil jovens matriculados em instituições públicas e privadas de ensino superior das 27 capitais brasileiras. Entre os entrevistados, 40% usaram duas ou mais drogas nos últimos 12 meses e 43% disseram “já ter feito uso múltiplo e simultâneo” dessas substâncias. E tem mais, o estudo apontou que 22% dos universitários estão sob risco da dependência química de álcool. Outra parcela menor de 8% corre o risco de depender da maconha.

Segundo a pesquisa, o uso de substâncias ilícitas é maior entre os universitários das regiões Sul e Sudeste, de mais de 35 anos, que estudam em instituições privadas e estão matriculados em cursos da área de humanas no período noturno.

O estudo ressalta que a prevalência do uso de álcool, tabaco e drogas entre os universitários brasileiros é semelhante à verificada entre os jovens dos Estados Unidos. Mas há algumas peculiaridades: entre os estudantes norte-americanos é maior o uso da maconha e, no Brasil, o percentual de universitários que declararam usar inalantes é superior ao daquele país.

E aí pessoal, é preocupante ou não esse avanço das drogas na nossa sociedade, principalmente entre os universitários que serão futuros formadores de opinião.

É isso, o consumo de drogas ilícitas para algumas pessoas pode até parecer uma coisa individual, banal, isolada e que só prejudica as pessoas que consomem, mas não é bem assim o que anda ocorrendo. Por trás do “mercado das drogas” estão às raízes de vários malefícios, como assaltos, seqüestros e assassinatos, além de ser a principal fonte de financiamento do crime organizado. Vale ou não vale uma reflexão.


Fonte: Agência Brasil

29 maio 2010

VIVÊNCIAS DO ESTÁGIO

O Encerramento.......








O encerramento do nosso estágio foi muito lindo! Como trabalhamos durante o estágio com o projeto de música, cada dupla ficou responsável pela apresentação de um gênero musical, que foi dividido da seguinte maneira: Sayonara e Fernando com forró; Ivonélia e Janyne com sertanejo; Eliana e xavier com Gospel; Tiara e Aline com MPB e Graziela e Luana com Axé. Ao final fizemos uma exposição na área externa do IERP, onde foi colocado um Baner com a biografia do cantor homenageado e mesas, onde foram expostas as produções dos alunos (exercícios, avaliações, trabalhos em grupo, enfim todas as atividades que eles realizaram durante o estágio), bem como as telas que os alunos pintaram representando a compreensão da música trabalhada e escolhida pela sala e além das lembranças do estágio. Após esse primeiro momento, fomos para o auditório do IERP, onde Fernando e Janyne apresentaram toda a programação do encerramento. A princípio foram chamados as professoras regentes, a coordenadora, a diretora, a vice diretora para entregar flores e agradecer pelo período que estivemos no IERP, em seguida homenageamos de forma carinhosa e especial com um buquê de rosas vermelhas a nossa professora Socorro, que muito nos ajudou para o sucesso do nosso estágio, sendo inclusive apelidada carinhosamente por nós como “Gauthier” rsrrsrsrsr!!!, dado o seu empenho na educação. Este foi uns dos teóricos que permeou a nossa trajetória do estágio. Prosseguindo cada dupla de estagiário apresentava um slide, um aluno que falava sobre a biografia do cantor de acordo o gênero musical escolhido pela turma, seguindo apresentava uma dança sobre o seu gênero musical. Para finalizar o estágio todos os alunos e professores voltaram para a área externa do IERP, para entregar as atividades, os trabalhos e as lembranças. E depois fomos merendar um delicioso acarajé com refrigerante... Foi uma festa supimpa e muito linda!



Detalhes finais... dupla parada dura!





Como eu e Fernando ficamos com o gênero musical Forró fui caracterizada como tal para representar melhor a nossa exposição do trabalho. O cantor escolhido, trabalhado e estudado pela turma foi Luiz Gonzaga e para a culminância do projeto a nossa turma escolheu a música “o xote das meninas”. Fizemos um baner contendo introdução, objetivo, metodologia, desenvolvimento e considerações finais.... O nosso baner ficou maravilhoso!

Foi muito prazeroso organizar a nossa festa, pois encadernamos as atividades dos alunos, expomos as telas feitas por eles, revelamos um foto grande da turma com a gente para por na mesa e colocamos a nossa lembrança do estágio que foi um cd contendo todas as músicas trabalhadas em sala de aula e todas as fotos que tiramos nesse período. Ficou muito legal! Eles amaram...

A nossa apresentação no auditório foi linda, pois mostramos através de slides momentos compartilhados com os alunos, em seguida a nossa aluna Lívia foi a frente do palco e falou sobre a biografia de Luiz Gonzaga e depois algumas alunas apresentaram uma dança embalado ao som da sica “O xote das meninas” de Luiz Gonzaga.

Foi uma linda festa de encerramento de estágio, recebi dos meus alunos presentes e bastantes bilhetes e me emocionei quando vir alguns alunos chorando, foi difícil segurar a emoção, mas me segurei para animá-los. Todos fizeram questão de me beijar e abraçar e pediram para eu ir sempre visitá-los e que iriam sentir saudades... saudades já estou sentindo!

Tudo que vivi só fez reforçar a minha vontade de ensinar e dar o melhor de mim para tentar mudar a realidade triste e angustiante que se encontra a educação.


24 maio 2010

VIVÊNCIAS NO ESTÁGIO

A Realidade.....

Alunos desmotivados

Muitas expectativas e ansiedade na primeira semana do estágio. Foi no dia a dia que pude perceber a relação que estamos vivenciando com as cinco categorias de Muller-Fohrbrodt e outros (1978), citados por Veenman (1984, p.144), que são: percepção de problemas, mudanças de comportamento, mudanças de atitudes, mudança de personalidade e abandono da profissão. Essa é a realidade que nós alunos do curso de pedagogia temos que enfrentar já em vias de conclusão de curso, pois a grade curricular atual é desumana, ao ponto de chegarmos ao último semestre do curso tendo estágio e a elaboração da monografia, além de mais duas disciplinas ainda. Desse modo que estar, só nos resta virar a madrugada adentro para dar conta do recado, o que tem provocado desgastes físicos, stress e muito cansaço.

A percepção da realidade vivenciada nesses primeiros dias estágio tem tudo a ver com as reflexões sobre categorias de Fuller (1969) e dos problemas de Veenman (1984). Esses autores citam a desmotivação dos alunos pelo o aprendizado como um dos desafios do educador. A falta de motivação dos alunos, portanto, foi o primeiro problema que percebi na classe, isso tem me angustiado muito, ao mesmo tempo em que tem me dado forças para compreender, já que nosso papel como estagiário é observar e pesquisar as causas que têm levado esses alunos a não têm nenhuma motivação para continuar apreendendo. Sabemos que a motivação envolve vários contextos que devem ser considerados, como: o ambiente escolar, as expectativas e estilos dos professores, os desejos e aspirações dos pais e familiares, os colegas de sala, a estruturação das aulas, o currículo escolar, as características individuais de cada aluno, entre outras. Entretanto, percebo que os aspectos metodológicos são importantíssimos para uma motivação intrínseca do aluno, no entanto, vejo o professor como principal agente motivador e tem um papel fundamental, pois parte da motivação do aluno se origina da motivação do professor em mediar o conhecimento. Talvez por encontrar professores desmotivados, já na fase de abandono da docência (aposentadoria), percebi na turma que alguns alunos perderam o interesse em aprender e vai à escola apenas por ir, outros alunos por serem repetentes também não tem despertado o interesse no aprendizado. No entanto, acredito que a motivação deve estar presente em todos os momentos e que cabe ao professor facilitar a construção do processo de formação, influenciando o aluno no desenvolvimento da motivação da aprendizagem, nessa linha de pensamento procuro sempre realizar atividades criativas e envolventes, mesmo nesse curto período de contato com esses alunos. Relato aqui uma experiência de trabalho desenvolvido em sala de aula, onde grupos de alunos foram divididos em equipes para melhor aproveitamento e interação da classe, só que para mim o trabalho elaborado era interessante e motivador, no entanto, com a arrumação do grupo percebi que eles não se interessaram tanto assim, pois as maiorias se recusavam em se juntar com outros colegas por questão de afinidade, já que a classe tem seus “grupinhos”, essa proposta de trabalho acabou gerando muita agitação entre eles e eu cheguei em casa entristecida, pois tudo que eu tinha planejado no final de semana não tinha dado certo. Pra mim foi um banho de água fria, pois imaginava que às aulas fossem animar os alunos, nessa brincadeira tive até insônia!. Mas não desistir, no outro dia refletindo melhor o ocorrido eu resolvi dar uma nova chance a turma e continuar inovando, aí planejei outras aulas com trabalho em grupo e antes de qualquer coisa tive uma conversa sincera com eles sobre o fato ocorrido, então tive um retorno, eles começaram a participar e achar interessante e hoje temos em todas as atividades participação deles. Daí em diante fizemos vários trabalhos em grupos, duplas e trios e eles participam mesmo, a nossa sala estar turbinada e muito linda, cheia de trabalhos que expomos na parede, como cartazes do sistema urinário, das retas paralelas e retas concorrentes, o mapa do Brasil, o mapa da vegetação brasileira, pinturas produzidas por eles com o tema aquarela e um grande cartaz da vegetação nativa brasileira, onde são fixados mini cartazes com as características de cada vegetação associado a respectiva imagem, bem como o mapa para indicar a localização, confeccionamos também relógios para trabalhar ângulos, e sem falar do beijo do caboclo, uma receita que fizemos para expor o assunto e comer depois, é claro!.E o mais importante é que tudo foi trabalhado em grupo. Todos esses trabalhos entre outros me deixou muito feliz, pois conseguimos realizar todos eles com sucesso, tanto no momento da confecção quanto na aprendizagem relacionada ao assunto. O resultado de todo esse esforço é que conseguimos o respeito e o carinho de todos eles, pois através de um bom diálogo com eles tenho dado uma boa aula, com uma boa participação da sala.

As categorias de Fuller

Outras situações vivenciadas no estágio e que são citados por Veenman é a relação entre colegas e turmas numerosas. A relação entre colegas não é das piores, entretanto, é perceptível o distanciamento entre alguns, talvez por não ter sido colegas anteriormente, fato que a priori dificultou o trabalho em equipe como já relatado anteriormente por mim. Esse distanciamento por vezes acaba em discórdia entre colegas, principalmente por serem heterogêneas as classes sócias do nosso alunado, bem como a faixa etária, além do mais estamos lidando com crianças e adolescentes. Outro ponto importante para reflexão é o tamanho ideal da turma, já que as turmas são numerosas e sem dúvida é um ponto negativo quando se procura qualidade no ensino-aprendizagem, tanto para o aluno como para o professor, pois dificulta o trabalho docente, uma vez que a aprendizagem não será alcançada com êxito em comparação a uma turma menor. Uma turma adequada deveria estar entre 20 a 25 alunos, mesmo assim, estar sendo possível fazer um bom trabalho, pois com dedicação e compreensão conquistamos o respeito e o carinho de todos eles, e conseguimos dá uma boa aula, com uma boa participação em sala.

O controle e organização também fazem parte das categorias de Fuller que tem como problemas segundo Veenman a organização do trabalho na aula e uso efetivo de diferentes métodos de ensino. Observei na minha turma que tinha que manter o tradicionalismo no sentido de todos os alunos sentarem em fileira, pois qualquer outro forma disposta, eles se dispersavam mais rápido e ficavam conversando o tempo todo com o outro colega. Às vezes tinha que agradá-los no intuito de manter a atenção deles durante toda a aula, nesse caso buscamos em Skinner o estímulo e resposta, punir ou premiar. Acredito que no momento em que estamos lecionando, não temos que ater apenas a uma proposta pedagógica e sim ter a capacidade de perceber a realidade encontrada e tentar fazer o melhor que convém para melhorar o aprendizado. Nesse sentido se procura o mais conveniente de cada uma dessas propostas, tanto a cognitivista, como a construtivista e até mesmo a tradicionalista.

Outra categoria de Fuller é preocupações com os alunos e Veenman trás como problemas gestão das diferenças individuais dos alunos, gestão dos problemas individuais dos alunos, determinação do nível de aprendizagem dos alunos, e alunos com baixo ritmo de aprendizagem, avaliação dos trabalhos dos alunos. Em virtude de ser uma turma com adolescentes e crianças, tenho que ter o maior cuidado quando me dirijo a eles no sentido da linguagem, os adolescentes principalmente usam uma linguagem repleta de palavrões e a todo o momento eu e Fernando temos que nos posicionarmos e tomar atitudes de conscientizá-los em relação ao comportamento em sala de aula, pois temos crianças na sala.

A turma conforme já citado anteriormente é composta de alunos que lêem, que lêem muito pouco e alunos que não ler nada, este é o grande problema que nos preocupa, pois os conteúdos propostos são de acordo ao programa curricular e alguns alunos não conseguem acompanhar. Como o estágio é em dupla a única alternativa que encontramos foi dividir a classe em dois grupos, onde eu fico com todos os alunos que ainda não lêem e o colega Fernando fica com o restante do grupo, para tanto trabalhamos com atividades diferenciadas com os alunos que não sabe ler, porém não excluindo-os das atividades de rotina, sendo assim, trabalhamos a necessidades de cada um. O que mais tem me angustiado é saber que uma parcela dessas crianças que estão na 4ª série ainda não sabem ler, é frustrante portanto saber que a Escola como instituição pública não estar cumprindo o seu papel, desta forma, para suprir essa lacuna estamos fazendo um trabalho diferenciado com eles, dando um acompanhamento todos os dias, mas o estágio é apenas 20 dias e depois como será o acompanhamento desses alunos? O (A) professor(a) regente deve se sentir impotente diante dessa realidade, pois são 33 alunos numa mesma sala, como dar conta?

A escola precisa fazer um projeto diferenciado para ajudar essas crianças que não sabem ler e tampouco escrever. A escola não deve silenciar e empurrar a sujeira para debaixo do tapete. No CAIC, onde estagiei na Educação Infantil, eles tinha um projeto com o nome, “Todo mundo lendo”, em que cada professor, diretor e coordenador, adotava uma criança pra alfabetizar, isso era apenas uma hora do seu tempo, que acontecia ali na escola mesmo. O ensino fundamental I que eu e meus colegas estamos estagiando estar precisando urgentemente de algo parecido, é preciso ser feito algo para mudar essa realidade nua e crua, pois não podemos perder a capacidade de nos indignar, de nos incomodar, de nos angustiar com essa situação.

Nosso estágio estar sendo muito enriquecedor e gratificante, pois vejo isso como uma grande oportunidade em estar vivenciando a realidade escolar que até outro dia só apenas ficava na teoria e hoje temos a prática e a vivência. Fica aqui minha indagação que a disciplina de estágio deveria ser antes da disciplina da monografia, porque vivenciamos e nós deparamos com vários problemas que com certeza seriam temas para a nossa monografia

21 maio 2010

VIVÊNCIAS NO ESTÁGIO

O começo...


Tudo começou no dia 03 de maio, onde eu e meu colega Fernando assumimos uma turma da 4º série do 5º ano do ensino fundamental do IERP (Instituto Estadual Régis Pacheco) na cidade de Jequié. Chegamos e fomos bem recebidos pela coordenação de ensino e todos os professores e servidores da escola. O IERP é um Instituto muito organizado, com uma boa estrutura física e boas relações humanas. Nosso propósito estar sendo alcançado, pois estamos aplicando um projeto de leitura com enfoque na música, que enfatiza a importância de se trabalhar música em sala de aula enquanto modalidade textual. Nesse projeto usamos e abusamos de muita dinâmica grupal e de atividades que contribuam para a formação integral do aluno, reverenciando sobremaneira os seus valores culturais, promovendo ao mesmo tempo a sociabilidade e a expressividade, incentivando a cooperação e principalmente o desenvolvimento da leitura e na escrita. Além disso, temos a missão de trabalhar os outros conteúdos da proposta curricular, que envolve as disciplinas de Geografia, História, Ciências e Matemática. Na concretização do nosso propósito, foi feito o batismo do projeto que estamos aplicando com o bonito nome: “No ritmo da música embalamos sonhos e tecemos leitores”.



Perfil da Tuma...


A nossa turma não é brincadeira!!! A primeira atitude quando assumimos a classe foi fazer um diagnóstico para traçar o perfil dos alunos, identificando as fases de desenvolvimento da escrita e a faixa etária. Foi observado então que a classe é composta de 33 alunos de idades variadas e conhecimentos diversos, com faixa etária de 09 anos a 16 anos. Alguns alunos sabem ler, outros estão ainda em nível silábico, existindo também aqueles que por mais absurdo que pareça não sabem ler nem tampouco escrever, sem contar que uma boa parte deles são repetentes. Diante dessa fotografia nos propomos a uma reflexão sobre de quem é a falha que tem privado crianças e jovens da aquisição do conhecimento. Será o professor o culpado? É a escola que tem falhado nos seus objetivos? Ou será o aluno o sujeito de todo esse processo e causador também dessa situação toda? Ficamos perplexos e imaginando o que poderíamos fazer para mudar a realidade escolar desses alunos, já que nossa convivência com eles é muito curta, em função do nosso estágio ser apenas de vinte dias? Essa angustia que vivenciamos é conhecido como “choque com a realidade” ou “choque da transição” que Muller-Fohbrodt usam para caracterizar esse período de medos e tateamento vivido durante (o)s primeiros ano(s) de docência. Faço minhas as palavras de Muller-Fohbrodt, porque é assim mesmo que nos sentimos, às vezes até impotente diante de toda a realidade encontrada na escola. Mesmo tateando a todo o momento, precisamos estar com o olhar atento, procurando fazer algo de melhor e o que estiver ao nosso alcance, mesmo sabendo que não iremos resolver todos os problemas encontrados, mas com a certeza que faremos o possível para ajudar os alunos a ter motivação pela escola, porque esse modelo de escola pública que está posto, não é interessante para os alunos, pois fora do ambiente escolar as atividades diárias dos alunos são mais atrativas, uma vez que eles têm toda uma tecnologia do outro lado do muro, principalmente a mídia e as brincadeiras entre outros. A escola, portanto, passa a não ser um ambiente atrativo e deixa de fascinar a criança. É preciso então, repensar urgentemente a inserção dos alunos nas atividades escolares, uma vez que a escola é vista como uma obrigação e não como uma coisa boa e importante para eles.


09 maio 2010

APROVAÇÃO ELEVADA

Olá turma! Mais uma informação para nós pedagogos em formação. O MEC fez uma retrato do impacto do programa Bolsa-Família nos resultados da educação. É bastante animador esse retrato, já que houve progresso na educação dos beneficiários . No ensino fundamental por exemplo, os beneficiários tiveram desempenho igual ao dos demais; já no ensino médio, nível de aprovação até foi maior.

Bolsa-Família eleva aprovação escolar!

Com um menor grau de abandono dos estudos, os alunos do Bolsa-Família tiveram desempenho na educação semelhante à média dos estudantes matriculados nas classes de ensino fundamental das escolas públicas do País. No ensino médio, os beneficiários do programa de transferência de renda registraram índices de aprovação maiores.
Os resultados aparecem no cruzamento feito pelo Ministério da Educação (MEC) do desempenho dos alunos do Bolsa-Família com dados do censo escolar. Trata-se do primeiro retrato do impacto do programa nos resultados da educação. Até então, o acompanhamento se limitava ao registro de frequência às aulas, condição para a permanência das famílias no programa.
O MEC pesquisou os índices de aprovação escolar dos beneficiários do Bolsa-Família nos dados do censo escolar de 2008. O levantamento mostrou que 80,5% dos beneficiários matriculados no ensino fundamental passaram de ano, enquanto o grupo formado por todos os alunos registrou índice de aprovação ligeiramente maior: 82,3% Foi no ensino médio que o MEC encontrou uma diferença maior no rendimento - e favorável aos beneficiários: 81,1% de aprovação dos alunos com a bolsa contra 72,6% do índice geral.
Com seis anos de existência, o Bolsa-Família tem em seus cadastros cerca de um terço dos alunos matriculados na rede pública. Atualmente, são 16,8 milhões de alunos de 6 a 17 anos registrados entre os beneficiários. Pela frequência às aulas, suas famílias recebem entre R$ 22 e R$ 200 por mês.
"Não posso dizer que ficamos totalmente satisfeitos com os resultados obtidos, mas eles mostram que o programa contribui para diminuir as desigualdades dos níveis de escolaridade", avalia Daniel Ximenes, diretor de estudos e acompanhamento de vulnerabilidades do MEC
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Fonte: Estadão

20 abril 2010

MAUS TRATOS

Desafio para nós, quase pedagógos. Até quando será tolerado essa prática nefasta nas escolas. De acordo com a educadora Cléo Fante, as escolas não tem estratégias para lidar com qualquer forma de violência escolar. Um bom tema para monografia.

Agressão nas escolas! O que fazer.

Quase um terço dos estudantes brasileiros entre a 5ª e 8ª séries do primeiro grau já sofreu maus tratos. Segundo pesquisa divulgada pela organização não governamental (ONG) Plan Brasil, 28% dos 5.168 estudantes entrevistados para a pesquisa foram agredidos em 2009.

Quando esses maus tratos são recorrentes, acontecendo mais de três vezes no mesmo ano, configuram, de acordo com a metodologia da pesquisa, em bullying. O termo designa todo o tipo de atitudes agressivas, verbais ou físicas, praticadas repetidamente por um ou mais estudantes contra outro aluno. Estiveram envolvidos em bullying 17% dos estudantes: 10% como vítimas, 10% como agressores, sendo que 3% eram tanto os que sofreram como praticaram os maus tratos. A sala de aula é apontado como local preferencial das agressões, onde acontecem cerca de 50% dos casos relatados.

As regiões onde a prática se mostrou mais frequente foram a Sudeste, com 12,1% dos estudantes assumindo ter praticado o bullying, e Centro-Oeste, onde 14% confessaram esse tipo de atitude. O Nordeste é a região do país onde o bullying é menos comum, apenas entre 7,1% dos estudantes.

A educadora Cléo Fante diz ser importante que os pais e professores estejam atentos e saibam diferenciar o bullying de uma brincadeira entre os jovens. “O bullying não é uma simples brincadeira de criança ou apelido que às vezes constrange. Tem casos que são gravíssimos, chegam a espancamentos. A criança não pode ir na escola, porque sabe que vai apanhar.”

Essas práticas violentas acabam por causar prejuízos na aprendizagem dos agredidos, os sintomas mais citados pelos jovens ouvidos foram a perda do entusiasmo, perda da concentração e o medo de ir à escola. Os agressores também têm problemas, segundo Cléo Fante. Muitos acabam ficando deslocados ao chegar ao ensino médio, quando o bullying é menos tolerado.

A educadora disse que é difícil definir quais são os fatores que geram o bullying. De acordo com Fante, tanto a família como a escola propiciam, por diversos motivos, esse tipo de prática. Ela ressaltou a própria cultura divulgada pelos meios de comunicação como uma incentivadora da agressão. “Os programas humorísticos geralmente pegam como alvo grupos de minorias. É o anãozinho, o portador de nanismo, o negro, o homossexual. Então são esses grupos que eles fazem "zoação", que eles apelidam e constrangem”, exemplificou.

A melhor maneira de agir, na opinião da especialista, é analisar os casos individualmente e tentar descobrir o motivo da agressão, além de conscientizar os envolvidos no processo do ensino “Nós temos que atuar muito mais de uma forma sistêmica, trabalhar com as crianças, com a família, com a escola e com as instituições e atores sociais”.

Fonte: Agência Brasil


02 abril 2010

O DEVER DOS PAIS


Quase pedagógos, vejam como o empenho dos pais pode melhorar o desempenho dos alunos nas escolas. É o que afirma o professor-pesquisador Cláudio Castro em colóquio realizado na conferência nacional de educação. O interessante é que ele fez uma comparação entre o Brasil, Japão e a Córeia no apreendizado desses alunos. É uma informação importante para incentivar a presença dos pais na vida escolar dos filhos.

O Papel da família para o desempenho dos filhos na escola


Atitudes simples dos pais, como conversar com os filhos e acompanhar o dever de casa, podem influenciar substancialmente a vida escolar de meninos e meninas. A constatação é do professor Cláudio de Moura Castro, que participou do colóquio Processos Educativos, Ampliação do Atendimento da Educação e Tecnologias da Informação. O debate ocorreu durante a Conferência Nacional de Educação (Conae), em Brasília.
O professor fez uma comparação entre hábitos familiares em países asiáticos como Coréia e Japão e no Brasil. De acordo com ele, o desempenho acima da média dos alunos desses países, em avaliações internacionais como o Pisa, está intimamente relacionado ao envolvimento dos pais no acompanhamento da vida escolar dos filhos.
“Entre 70% e 80% dos resultados escolares se deve a fatores ligados à família”, avaliou. De acordo com Cláudio, no Japão e na Coréia os pais gastam cerca de 30% de seu orçamento com a educação dos filhos – mesmo que os sistemas de educação desses países seja público – ao pagar, por exemplo, aulas de reforços. “Isso é mais do que esses governos gastam com as escolas públicas.” Segundo o professor, 83% dos alunos da Coréia estão em cursos de reforços.
Outro ponto considerado positivo pelo pesquisador é que os alunos coreanos, além de terem aulas de reforço, passam mais tempo na escola: cerca de dez horas, contra cinco dos brasileiros. “Eles também lêem mais e vêem menos televisão do que os brasileiros”, disse. De acordo com ele, no Brasil, em média, os estudantes, quando estão em casa, passam quatro horas em frente à tevê e apenas uma estudando.
Para ajudar o filho a melhorar o desempenho, aconselha o pesquisador, bastam medidas simples como acompanhar o dever de casa, incentivar a leitura nas férias e conversar muito com os filhos. “O pai tem que saber o que ocorre na escola e o acompanhamento do dever de casa é o diálogo do pai com a escola”, acredita.
De acordo com as pesquisas de Cláudio, os pais que ajudam com o dever, verificam as correções dos professores e conversam bastante com os filhos, mesmo sobre assuntos não ligados à escola, mostram interesse pela vida dos filhos e incentivam uma rotina de estudos, influenciando positivamente no desempenho escolar. É o que ocorre na Coréia e no Japão, onde, segundo o professor, há uma profunda crença de que o estudo pode melhorar substancialmente a vida das pessoas.

Fonte: Portal MEC

31 março 2010

PROFESSORES A KM DE DISTÂNCIA

E aí turma! Nós que estamos saindo agora, o que vocês acham da formação de professores a distância. Será que as instituições e os cursos oferecidos a distância estão mesmo comprometidos com a formando de educadores para educar ou é apenas mercantilismo ? Vamos contribuir para o debate, dê sua opinão!

A formação de professores em cursos de educação a distância está longe de um consenso entre os educadores que participam da Conferência Nacional de Educação (Conae). Os defensores da modalidade afirmam que essa é a única forma de garantir o ensino universitário aos que vivem em regiões de difícil acesso e os que são contra salientam a falta de qualidade dos cursos. A diretora do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul e presidente do Conselho Estadual de Educação, Cecília Farias, critica a formação de professores em cursos de educação a distância. Para ela, é preciso haver formação presencial do futuro professor. "Nos cursos de pós-graduação, não há problema [com a distância], mas, para a formação inicial, somos contra." A professora ressaltou que várias instituições privadas não estão oferecendo cursos de qualidade e que existe muita mercantilização". "Os objetivos são apenas financeiros." A coordenadora-geral de Formação da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Helena de Freitas, que também participa da Conae, lembra que a escola deve ser vinculada à sociedade e que muitos cursos a distância são de baixa qualidade. "Temos que examinar que tipo de professores são formados nesses cursos. Um encontro presencial é limitado no tempo e no espaço e distante da realidade da sociedade", disse ela.
Segundo o Ministério da Educação, há 800 mil pessoas fazendo cursos de educação a distância – 600 mil em escolas privadas e 200 mil em instituições públicas. O secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Biechoviski, disse que o ministério está exercendo um papel rigoroso na supervisão e regulação de tais cursos.
"O curso a distância permite que pessoas que morem nos rincões mais distantes se formem. Estamos sendo rígidos na supervisão dos cursos. Hoje mesmo foi descredenciada uma instituição de ensino e na semana passada tivemos outra faculdade", afirmou Biechoviski.
Fonte: Agência Brasil

29 março 2010

ESCOLA ANACRÔNICA

Em palestra hoje na Conferência Nacional de Educação, a secretária de educação básica do MEC Maria Lacerda afirmou que a escola brasileira é anacrônica. O que vocês acham dessa declaração? Para opinar leiam o texto abaixo e tire suas conclusões.

Grandes temas em discussão

Um dos grandes temas em debate na Conferência Nacional de Educação (Conae), que ocorre até quinta-feira em Brasília, é a questão do investimento em educação. O evento deve aprovar uma proposta para que seja investido 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no ensino público. Mas para a secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar Lacerda, é preciso antes discutir “qual é o projeto de escola para o país”.
Na avaliação de Pilar, a escola brasileira hoje não atende as necessidades das novas gerações. “É uma escola anacrônica para crianças e jovens digitais”, afirma. Para a secretária, o atual projeto não funciona para a atual geração e precisa de reformas.
Ela participou hoje de um colóquio sobre a ampliação da obrigatoriedade do ensino, aprovada ano passado pelo Congresso Nacional. A partir de 2016, as crianças deverão ser matriculadas aos 4 anos e só poderão deixar as escolas após concluírem o ensino médio, aos 17 anos.
Para a transformação do atual modelo da escola, seria necessário modificar diferentes etapas e processos da educação. “Você precisa mudar a formação de professores, os equipamentos das escolas, as diretrizes curriculares”, disse.
Pilar defendeu que aumentar o financiamento é “muito necessário”, mas mais recursos não resolvem os problemas do ensino público “sozinhos”.“Não há solução simples para problemas complexos”, afirmou.


Fonte: Agência Brasil

26 março 2010

MERENDA DE BOA QUALIDADE!

Olá turma, notícia interessante sobre segurança alimentar nas escolas. Se entrar em vigor será uma medida excelente, pois para a maioria dos alunos, essas refeições (merenda escolar) são as únicas fontes de alimentos que recebem durante o dia. Leiam e façam seus comentários!

O governo de São Paulo finaliza projeto de lei para proibir a venda de alimentos que contribuem para a obesidade infantil em cantinas de escolas públicas e privadas do Estado de São Paulo. A restrição também deverá atingir a merenda financiada pelo Estado e servida na rede pública.
Há quase um ano o governador vetou proposta semelhante, chamada informalmente de "lei anticoxinha", aprovada pela Assembleia Legislativa, o que provocou protestos de alguns dos principais especialistas brasileiros em alimentação infantil e de promotores. Em outros Estados, como o Rio de Janeiro, já há restrições.
Na época, a Secretaria Estadual da Saúde avaliou que a proposta era inadequada por trazer no corpo da lei, por exemplo, listas de alimentos proibidos, o que dificultaria atualizações. Além disso, o texto de autoria da deputada Patrícia Lima (PR) mencionava alimentos de alto teor calórico e com gordura trans como alvo da restrição. No entanto, nem sempre alimentos calóricos são ruins para a saúde e eles podem ser necessários para algumas crianças - um suco de açaí, por exemplo, é calórico.
Segundo minuta do projeto, serão alvo de restrição produtos de alta densidade energética e que garantem baixo ou nenhum aporte de fibras e micronutrientes, como vitaminas - expressão que, para especialistas, contempla melhor aqueles que contribuem para a obesidade e não trazem benefícios (caso de balas, biscoitos recheados, salgadinhos e refrigerantes).

Fonte: Agência Estado

17 março 2010

QUAL O CUSTO DE UM ALUNO NO BRASIL?

Para aqueles que não sabem quanto o Brasil gasta na educação, taí uma matéria interessante, onde mostra o custo de cada aluno das escolas públicas. Considerando as cifras abaixo, você acha que o Brasil investe muito ou pouco na educação? Comente essa matéria!

Investimento em educação

De acordo com a série histórica divulgada pelo ministério, de 2000 para 2008 o valor investido por aluno na educação básica passou de R$ 808 para R$ 2.632 – mais do que triplicou. Apesar do aumento, ainda é pouco mais do que os valores mensais cobrados por escolas particulares. No ensino superior, o valor investido por aluno foi de R$ 14.763 . É como se cada universitário custasse cinco vezes mais do que um estudante da educação básica. Apesar de ainda ser grande a discrepância, essa relação vem diminuindo. Em 2000, por exemplo, o investimento em um aluno do ensino superior era 11 vezes maior do que na educação básica. A meta do MEC é reduzir para quatro essa proporção, o que é recomendado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Segundo o MEC o investimento público em educação foi de 4,7% em relação ao PIB (produto interno bruto). Em valores, foi algo em torno de R$ 140 bilhões. Nos países desenvolvidos o patamar aplicado na educação fica em torno de 6% do PIB.

Veja aí quanto custa em R$ por ano cada aluno da escola pública.

Educação Básica (total) R$ 2.632

Educação Infantil R$ 2.206

Ensino Fundamental (anos iniciais) R$ 2.761

Ensino Fundamental (anos finais) R$ 2.946

Ensino Médio R$ 2.122

Ensino Superior R$ 14.763


Fonte: Inep/MEC.

Publicado na Agência Brasil

14 março 2010

A PEDAGOGIA DO AFETO

Colegas pedagógos e blogueiros, vamos deixar a inércia de lado e fazer uma reflexão sobre o que diz o economista Gustavo Ioschpe (ele não é pedagógo) que critica a tendência de alguns educadores de priorizar a criação de um ambiente de afeto em sala de aula em detrimento do aprendizado. Será que isso procede? Façam seus comentários.

O amor constrói. Mas não ensina a tabuada

Na teoria, ela bebe de fontes sérias, que vão da psicologia transpessoal de Abraham Maslow às ideias de inteligência emocional de Daniel Goleman. Aplicada à pedagogia, significaria alterar as práticas de sala de aula para incentivar a introdução da afetividade na relação aluno-professor e entre os próprios alunos, com o objetivo de criar um ambiente de bem-estar na escola que melhorasse o ensino-aprendizagem. Assim como a maioria dos professores brasileiros se diz construtivista sem jamais ter lido Piaget ou entendido sua teoria, também a pedagogia do afeto tem uma aplicação que, em seu simplismo, pouco tem a ver com a matriz teórica. No Brasil, usa-se essa definição para uma ideia algo difusa de que o fundamental de uma escola, de um professor, é dar afeto aos seus alunos e desenvolver com eles uma relação pessoal, suprindo a suposta carência de afeto sentida pelas crianças brasileiras. Essa visão se espalha com enorme rapidez. Em pesquisa recente de Tania Zagury com uma amostra grande de professores de todo o país, 62% dos entrevistados disseram que "a melhor escola é aquela em que o aluno encontra professores amigos e ambiente agradável". Grupos de escolas particulares adicionam o coraçãozinho da sua pedagogia afetiva a seus anúncios, e a teoria é agora o norte pedagógico da Legião da Boa Vontade (LBV). A pedagogia do afeto apresenta três vantagens importantes a seus adeptos. A primeira é que ela é de difícil mensuração (como se mede o amor?), de forma que é impossível dizer se funciona ou não. A segunda é que o uso do afeto serve como um antídoto ao fracasso de nossas escolas naquela que deveria ser sua primeira tarefa, a de transmitir conhecimentos da cultura universal e desenvolver o raciocínio analítico e a curiosidade do alunado. Sempre é conveniente defender-se do fracasso técnico atrás do véu propiciado por uma causa nobre. Afinal, o que é saber trigonometria diante de estar com o coração transbordante e em contato com sua alma? Finalmente, o terceiro benefício é que a pedagogia do afeto apresenta uma alternativa mais simpática para explicar o insucesso da escola em relação a seu principal concorrente, a ideologização do ensino, que pretende formar o "cidadão crítico e consciente". Você pode reclamar que seu filho não está aprendendo porque está sendo doutrinado, mas como atacar aqueles que se preocupam em criar um ambiente amoroso em sala de aula? Já vejo os seus simpatizantes pensando: "Mas o que esse cara defende, então? A pedagogia do ódio?". É um prato cheio para os maniqueístas. Mais do que uma ferramenta cínica para cobrir nossa abissal incompetência no ensino, a pedagogia do afeto se encaixa como uma luva em duas vertentes da nossa cultura, especialmente populares entre os professores. A primeira é o maximalismo. Não basta ao docente brasileiro ser um profissional competente que consegue dar cabo de sua missão primeira (e nada simples) de transmitir aos alunos todo o conhecimento e desenvolver as habilidades intelectuais para navegar em um mundo crescentemente complexo. Isso é pouco. É preciso, também, desenvolver valores éticos, melhorar a autoestima do alunado, preservar o meio ambiente e prezar a diversidade. O bom professor precisa ser um herói, um abnegado, um missionário, um Quixote lutando contra uma sociedade que o ignora e o desrespeita.
A segunda vertente, muito estimulada pelo governo atual, é a ideia de que o brasileiro legítimo é um batalhador, que se esforça contra todas as adversidades. Se triunfa ou não, é irrelevante: o que importa é que não desiste nunca. E o faz mantendo, no processo, a simpatia e a cordialidade brejeira que ainda nos tornarão a Roma dos trópicos. Em suma, o processo e o esforço são mais importantes que o resultado. E o resultado do processo escolar - que deveria ser, antes de todo o resto, o aprendizado - fica de lado. A escola brasileira parece acreditar que terá cumprido sua missão se criar um sujeito bem ajustado, que não puxa os cabelos dos coleguinhas, ainda que não saiba a tabuada nem consiga escrever dois parágrafos concatenados.
A origem intelectual desse vírus que vai poluindo nosso discurso educacional é difusa, já que se trata de um pot-pourri de diversos pensamentos desconexos. Seus maiores praticantes no Brasil são Içami Tiba e Gabriel Chalita. Os escritos do primeiro se destinam mais a pais do que a professores, e se caracterizam pela superficialidade e autopromocionalismo dos manuais de autoajuda. Seu magnum opus, Quem Ama, Educa!, destila todos os assuntos imagináveis sobre educação dos filhos em apenas 300 páginas, com uma bibliografia de dezessete autores. É inócuo. Já Chalita se vale de citações de grandes pensadores para convencer os leitores incautos e incultos de que se trata de um trabalho de densidade intelectual. Sob esse disfarce, esconde-se uma retórica insidiosa, com o objetivo claro de bajular os docentes, a fonte de votos do "pensador" que virou político. Na cosmovisão chalitiana, os professores são os heróis da nossa educação e as vítimas de um fracasso que é da civilização, não da escola. No autoexplicativo Educação: a Solução Está no Afeto, Chalita tenta passar do plano teórico à sala de aula, para descrever como seria uma aula afetiva: "Em matemática, física ou química, como se abordaria esse tema? Seriam feitas reflexões sobre as sensações humanas, o medo, a solidão. As retas, o plano, a trigonometria das ruas do Rio de Janeiro em que conviveram amigos - Vinicius, Toquinho, Tom Jobim (...)". Então tá. Adiciona: "Nada substitui o velho lar. A educação por conta do estado e das instituições não funciona". Assertiva curiosa para alguém que foi secretário da Educação de São Paulo, mas, pelo menos, consistente com sua práxis. Nos quatro anos em que ele esteve no cargo, os alunos sofreram: caiu em 700 000 o número de matrículas nos níveis fundamental e médio, caíram as taxas de aprovação e conclusão do ensino fundamental e mais de 300 escolas foram extintas. Mas com muito afeto.

Fonte: Revista Veja